Zabumba City na Bienal Letras Latinas 2006

Zabumba City, tipografia de Fátima Finizola, designer da
Corisco Design, escritório sediado em Recife, foi selecionada para a Bienal Letras Latinas 2006. A fonte é um dingbat (tipografia na qual ilustrações, vinhetas, palavras inteiras ou sinais tomam o lugar das letras - Priscila Farias, 2001) desdobramento da Zabumba, que anteriomente foi selecionada para o Salão de Design PE e para a mostra Tipografia Brasilis3. Zabumba City foi desenvolvida retratando elementos de destaque na paisagem urbana das cidades de Recife e Olinda (Pernambuco | Brasil). Foram abordados patrimônios históricos, pontos turísticos e elementos culturais representativos de alguns bairros destas cidades. A linguagem gráfica utilizada nos desenhos foi inspirada nas xilogravuras da literatura de cordel, folhetim típico desta região. As gravuras foram geradas a partir da técnica de recorte manual e digital.
Em sua segunda edição, a Bienal Letras Latinas selecionou 70 trabalhos, dentre 427 inscritos, que serão expostos simultaneamente em Bogotá, Buenos Aires, Caracas, Lima, Montevideo, Santiago, São Paulo e Vera Cruz. O corpo de jurados foi composto por Luciano Cardinali, Juan Carlos Darias, Priscila Farias, Rubén Fontana, Vicente Lamónaca, Candelaria Moreno, César Puertas, Rodrigo Ramírez. Quem quiser conferir a mostra no Brasil poderá ir ao SENAC Santo Amaro, em São Paulo no período de 15 de maio a 10 de junho de 2006. Além do trabalho de Fátima outros 8 tipógrafos brasileiros também tiveram suas fontes selecionadas.
Mais info:
http://www.letraslatinas.com
:: Três palavrinhas com Fátima Finizola
1. Os "caracteres" do dingbat Zabumba City são referências diretas à cidade do Recife. Isso é uma declaração de amor pela cidade? Na verdade é reflexo de uma vivência diária na cidade em que nasci, a qual admiro e defendo seus elementos e manifestações culturais, tomando partido desse universo vernacular sempre que posso na minha prática projetual de design.
2. Há quanto tempo você se dedica à tarefa de tipógrafa e quais os resultados desta empreitada? Sempre gostei de rabiscar letras... fui apresentada à caligrafia e à tipografia ainda no curso de design, onde comecei meus primeiros experimentos. No entanto posso dizer que quem impulsionou a minha curiosidade pelos tipos digitais, foi a tipógrafa Priscila Farias, quando esteve de passagem aqui pelo Recife em 2000 ministrando uma disciplina no curso de Pós-Graduação em Design da Informação da UFPE. De repente descobri que poderia transformar minhas letrinhas em fontes de verdade!!! A partir de então me integrei ao grupo experimental Crimes Tipográficos. Hoje, temos trabalhos publicados no livro Fontes Digitais Brasileiras e selecionados para a Mostra Tipografia Brasilis 3, Salão Pernambuco Design e agora recentemente para a Bienal Letras Latinas 2006.
Estamos de portas abertas para agregar trabalhos de outros aspirantes à tipógrafos que desejem divulgar seus projetos.
3. Qual ferramenta você utiliza para finalizar seus trabalhos tipográficos? Ainda estou utilizando o Fontographer, pois apesar de já existirem softwares mais recentes no mercado, me acostumei com a ferramenta. Ainda não me aventurei em novos programas por absoluta falta de tempo, afinal de contas, a fonthouse Crimes Tipográficos é um projeto paralelo ao nosso estúdio ao qual dedicamos nossas poucas horas de "lazer"!
4. Qual atividade é mais prazerosa, o design ou a tipografia? (Abandonaria algum deles em função do outro?)Acredito que tudo que fazemos sem compromisso, sem necessariamente ter que agradar o gosto de um cliente, mas na verdade fazendo do trabalho uma expressão gráfica particular, mais experimental é mais gostoso, seja no design ou na tipografia. Hoje temos mais oportunidade de fazer experimentos no campo da tipografia, mas infelizmente não dá para abandonar o design e viver de tipos, pois ainda não temos retorno financeiro suficiente... e quem sabe se no momento em que a tipografia virar uma obrigação perderá um pouco
do seu fascínio!! =)